Arquivo para julho, 2010

Conferência REBUILDING HOPE 2010

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AGOSTO Missionário, A GOSTO de Deus

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AGENDA DA M.A.I.S. (EVENTOS)

Prezados irmãos e companheiros de guerra: graça e paz!

Atendendo a pedidos, segue abaixo o calendário de participação da M.A.I.S. em eventos e conferências ainda em 2010.

JULHO
24 a 31/7 Haiti
AGOSTO
20 a 22/8 Brasília/DF
28/8 Rio de Janeiro/RJ
SETEMBRO
11 e 12/9 São Gonçalo/RJ
24/9 a 1/10 Haiti
OUTUBRO
13 a 17/10 Fortaleza/CE
15 a 17/10 Curitiba
24/10 Piumhi/MG
NOVEMBRO
7/11 Apucarana/PR

P.S.: Ainda há espaço em nossa agenda para que um de nossos obreiros participe de seu evento. Escreva-nos através do endereço contato@maisnomundo.org.


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O “BIG BROTHER” DOS DESABRIGADOS

“O cristianismo, considerado em suas origens bíblicas e em sua história,é ao mesmo tempo um movimento religioso de procura de Deus e uma sede de Justiça; a tendência para a eternidade inclui a realização na Terra de uma comunidade realmente fraterna e a busca de uma civilização ou de civilizações justas e solidárias. A Transcendência, o Sobrenatural não excluem, antes exigem, a presença no mundo e a preocupação com seus problemas”. (Frei Carlos Josaphat. Evangelho e revolução social)

Estivemos em União dos Palmares, visitando uma das dezenas de escolas que têm abrigado as vítimas da enchente que assolou recentemente Pernambuco e Alagoas. Cento e vinte e cinco famílias se espremiam e improvisavam por toda área interna daquele lugar divisórias com forros de cama. Compondo um ambiente com pouca luz, com um ar que exalava cheiro que sugeria um ambiente insalubre, com crianças brincando entre os recém formados corredores e cães presos na quadra esportiva, que improvisada tornou-se num canil coletivo.
Fomos recebido por Adeildo, membro da Assembléia de Deus, conhecido no lugar por “irmão”, e que se apresentou como desabrigado e voluntário do abrigo. Adeildo nos explicou como estava a vida daquelas famílias (inclusive a dele) que a 16 dias perderam tudo. Informou que todos ali tinham comida, roupas, colchões… A ajuda tem chegado de todo Brasil. E que o donativo ainda escasso é material de limpeza, de higiene pessoal e roupas íntimas femininas.
O que percebemos é que do dia para noite foram formados centenas de “big brother”, como aquele que estávamos visitando. Verdadeiras panelas de pressão, onde se amontoam milhares de pessoas (100 mil entre Pernambuco e Alagoas), que não tem perspectivas concretas de quando vão retornar para um lar de verdade; um povo que vive sem ter o mínimo de privacidade, com muito pouco conforto e espaço, de favor e temendo ser esquecido. Sim, por que logo logo eles sabem que a mídia os esquecerá e com certeza a sociedade (tão generosa, solidária e presente) talvez também os esqueça.
Por quanto tempo esse “martírio” perdurará? Quais os desdobramentos que ainda virão?
As únicas certezas que nós temos é a de que tudo que foi feito até agora é belo e necessário, mas a necessidade suprida hoje não resolverá o dia de amanhã, por isso a solidariedade não pode parar até que tudo se resolva. E que não vai dá para empurrar para debaixo do tapete cem mil pessoas, por isso serão necessárias políticas públicas que transcedam as medidas temporárias que a emergência impõe.

…”Então o Rei dirá aos de sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, herdai o reino preparado para vocês desde a fundação do mundo.Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; fui forasteiro, e me recolhestes; estive nu, e me cobristes; enfermo, e me visitastes; no cárcere, e viestes a mim. Então os justos lhe responderão dizendo: Senhor, quando te vimos faminto, e te sustentamos, ou sedento, e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro, e te recolhemos, ou nu, e te cobrimos? Ou quando te vimos enfermo, ou no cárcere, e viemos a ti? E respondendo o Rei, lhes dirá: De verdadeiro vos digo que quanto o fizestes a um destes meus irmãos menores, a mim o fizestes.”

Marcos – sal da terra

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SEMANA DA JUVENTUDE

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REVOLISYON LANMOU – O CLIPE

Clipe em crioulo da música “Revolução do Amor” (Ortegas), gravado no Haiti em maio/2010, com participação de Matheus Ortega.
Direção: Alyson Montrezol. (www.phanton.art.br)

Visite: www.ortegas.com.br
Twitter: @ortegasoficial
Email: contato@ortegas.com.br

Letra:Aquele que foi servo e se humilhou
Ensinou o que é amar o que é viver
Ele aprendeu por tudo que sofreu
Entregou a sua vida e amou até o fim.

Ô,Ô,Ô Chegou a hora de se levantar
E mudar toda a história deste lugar
Ô,Ô,Ô Chegou a hora de recomeçar
E viver a revolução do amor

O mundo se pergunta onde estava Deus
No desastre, sofrimento e na solidão?
Nós somos a resposta a este clamor
Ao dar a nossa vida e amar sem fim

Revolução do amor

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O HAITI 6 MESES DEPOIS


Já construímos nosso primeiro templo em Delmas, região de Porto Príncipe.


O dia 12 de Janeiro de 2010 configurou a data mais trágica da história do Haiti, talvez aquele dia que os haitianos, se pudessem, não incluiriam no calendário. O terremoto de 7 pontos na escala Richter dizimou mais de 250 mil pessoas (quase o total populacional somado dos municípios de Cascavel e Toledo) e deixou desabrigados outros 2 milhões de indivíduos. O país dissolveu-se. O mapa da capital mudou: onde antes era rua tornou-se em pilha de escombros. Por vários dias Porto Príncipe ficou incomunicável e com pouco acesso a recursos básicos como água e alimentos. Caos. Desespero. Terror.

Nossa organização teve o privilégio de levar ajuda de igrejas e comunidades brasileiras para algumas regiões do Haiti. Temos viajado ao país com equipes médicas e de engenharia, tendo distribuído um total de mais de 40 toneladas de alimentos. Realizamos clínicas móveis, instalamos sistemas de água potável e já começamos a auxiliar na reconstrução de algumas poucas estruturas físicas. Temos estado no Haiti mensalmente, desde janeiro.

Por conta dessa experiência e dessas muitas incursões no país, quero aqui oferecer um breve relato do que vejo no Haiti seis meses depois do terremoto. Esse texto é confeccionado um pouco antes de se completarem 180 dias daquela que foi a maior catástrofe da história da ONU.

No centro de Porto Príncipe, a “cara de catástrofe” vai demorar para se desfazer; na verdade, o país não está sequer próximo de escapar da chamada condição emergencial. Tudo ainda é muito precário. Ainda vemos muitas características semelhantes ao que víamos em janeiro: jovens tomando água de poças de cimento, em função da pouca disponibilidade de água potável em face do calor insuportável; o desespero e a agressividade dos pedintes nas ruas – ainda não se pode portar comida em determinados locais; a condição de desnutrição dos habitantes dos acampamentos, principalmente no que tange às crianças; entre muitos outros dilemas. O desemprego é alarmante, e muito haverá de ser reconstruído para que haja reais oportunidades de trabalho e recuperação. Porto Príncipe consiste num grande assentamento de barracas, onde pessoas vagam durante o insuportável calor do dia e se escondem das chuvas e deslizamentos à noite.

A somatória desses dados macabros, alguns resultantes do terremoto, outros nem tanto, resulta em graves índices de desnutrição e doenças, além de influenciar diretamente as estatísticas da violência nacional. Aumenta o índice de estupros e assaltos sexuais no contexto dos acampamentos, o que faz proliferar uma diversidade de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Tivemos de levar do Brasil uma médica infectologista, especialista em HIV, em nossa última incursão. A Dra. Irene Bruinsma, holandesa radicada em Belo Horizonte, se reuniu com autoridades médicas locais vislumbrando a realização de projetos de prevenção e tratamento no país.

Apesar disso tudo, surge a esperança. Porto Príncipe já está bem mais limpa, com menos escombros. Já começa-se a notar algum movimento em termos de reconstrução física, mas ainda com a característica de muita madeira e pouca alvenaria. O medo não permite que os haitianos sonhem com qualquer forma de suntuosidade sob tijolos. Ainda há grande trauma psicológico no que se refere aos ambientes fechados: mesmo alguns que não perderam suas casas preferem morar nos acampamentos, simplesmente por temerem novos tremores. Pudemos ver grandes estruturas metálicas, estruturas pré-fabricadas com base em madeira e mesmo barracas feitas de lona especial.

Nota-se que alguns locais estratégicos já estão sendo edificados com prioridade, tais como órgãos públicos, escolas e hospitais. A maior parte dessas edificações parte da iniciativa das ONGs, da ONU e das igrejas. E tudo, repito, com pouca alvenaria. Vimos grandes escolas de madeira e grandes hospitais em tendas. Transitório? Sabe-se lá até que ponto. E quanto ao governo haitiano, este ainda apresenta pouca força para reagir.

A economia haitiana pode passar por algumas transições interessantes num futuro próximo. A administração deste processo consiste, por si só,  num grande desafio. O mercado da construção civil naturalmente haverá de crescer, visto que o país apresenta obviamente tal demanda. A área da educação também pode representar boas oportunidades para os haitianos. Espero que a corrupção não vença a sede de reconstrução deste povo tão vibrante.

Nem todos compreendem bem o fato de ajudarmos o Haiti diante da realidade catastrófica de tantos outros lugares, incluindo o Brasil. A necessidade está em toda parte; sempre haverá demandas em todos os cantos da Terra. Mas, conforme afirmado por um cartoon americano, o terremoto fez surgir no mapa mundi uma nação chamada Haiti. As necessidades já estavam lá muito antes do desastre; o mundo é que estava cego quanto àquele contexto de pobreza generalizada bem na esquina da América. A comunidade internacional já deveria ter se voltado para aquele que poderia ser um império turístico e um centro de referência no Caribe. Com a ajuda de Deus, quem sabe ainda venha a ser.

* Mário Freitas carrega caixas e compra madeira para construção no Haiti. Ou seja, faz o que qualquer um poderia fazer.

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